1. Alterações na minha visão pessoal sobre a Educação a Distância e o eLearning
A minha relação com a Educação a Distância (EaD) é longa e profundamente enraizada. Ingressei pela primeira vez na Universidade Aberta em 2004, numa altura em que a modalidade de ensino a distância apresentava ainda um formato distinto do atual, com forte dependência de materiais impressos, ritmos mais rígidos e interações essencialmente assíncronas. Desde então, o sistema evoluiu de forma significativa, acompanhando a transformação tecnológica e pedagógica que culminou no modelo de e-learning que hoje caracteriza a UAb.
Ao longo do meu percurso académico, concluí uma licenciatura em Educação (com minor em Pedagogia Social e da Formação) e finalizei, em dezembro 2025, uma segunda licenciatura em Gestão, ambas realizadas na Universidade Aberta. Esta experiência permitiu-me observar de forma direta a evolução dos modelos pedagógicos, das ferramentas digitais e das estratégias de acompanhamento dos estudantes.
Por isso, o Módulo de Ambientação do Mestrado em Pedagogia do eLearning não representou um primeiro contacto com a EaD, mas sim uma oportunidade de recontextualizar e aprofundar a minha compreensão sobre este paradigma. O que mudou na minha visão foi a perceção da intencionalidade pedagógica que sustenta o e-learning contemporâneo: compreendi com maior clareza que a tecnologia é apenas o meio, e que o verdadeiro valor está na mediação pedagógica, na comunicação significativa e na construção colaborativa do conhecimento.
Hoje, vejo o e-learning como um modelo de aprendizagem flexível, dinâmico e centrado no estudante, onde a autonomia individual se equilibra com o envolvimento coletivo e a responsabilidade partilhada pela aprendizagem. Esta nova compreensão, agora mais crítica e fundamentada, reforça o meu compromisso em investigar e atuar de forma reflexiva no campo da pedagogia digital.
2. Reflexão sobre a Sessão de Abertura do mPeL 2025
A Sessão de Abertura do Mestrado em Pedagogia do eLearning (mPeL) 2025, realizada a 21 de outubro de 2025, contou com a participação de dois convidados de destaque internacional — Tel Amiel e Linda Castañeda —, cujos percursos académicos e contributos para a Educação Aberta e o e-learning são amplamente reconhecidos.
A sessão constituiu um momento de inspiração e reflexão sobre os desafios atuais da Educação a Distância e sobre o papel do e-learning no contexto de transformação digital da educação. As intervenções abordaram questões fundamentais relacionadas com a ética, a inclusão, a inovação pedagógica e o papel do estudante e do docente na construção de ambientes digitais de aprendizagem mais abertos e participativos.
De forma geral, a sessão reforçou a importância de encarar o e-learning como uma abordagem educativa integrada, que combina princípios pedagógicos, tecnológicos e sociais. Foi particularmente relevante a reflexão sobre a responsabilidade ética na utilização das tecnologias digitais, o acesso equitativo ao conhecimento e a necessidade de promover uma cultura colaborativa de aprendizagem.
Para mim, enquanto estudante com um percurso já longo na Educação a Distância, esta sessão representou um reencontro com os fundamentos da pedagogia digital, agora observados a partir de uma perspetiva mais investigativa e crítica. O diálogo entre os convidados e a comunidade académica do mPeL sublinhou o potencial do e-learning como espaço de partilha, autonomia e inovação educativa, reafirmando a relevância deste mestrado na consolidação de uma prática pedagógica aberta e reflexiva.
Júlia Deolinda dos Reis
Mestrado em Pedagogia do eLearning – Universidade Aberta
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