Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Ambientes Virtuais de Aprendizagem: entre a tecnologia e a intencionalidade pedagógica

Mensagens recentes
 

Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem: Entre a Inovação Tecnológica e a Intencionalidade Pedagógica

  A crescente digitalização da sociedade tem vindo a provocar transformações profundas nos sistemas educativos, exigindo uma reconfiguração dos modos de ensinar, aprender e avaliar. Neste contexto, os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) assumem-se como espaços privilegiados de inovação pedagógica, sustentados por um ecossistema tecnológico cada vez mais diversificado e interativo. Contudo, esta abundância de ferramentas digitais não garante, por si só, a qualidade das aprendizagens. Pelo contrário, coloca novos desafios aos docentes, nomeadamente ao nível da seleção crítica de tecnologias e da sua integração coerente no design pedagógico. A reflexão sobre as tecnologias digitais aplicadas à educação exige, assim, uma abordagem que vá além da dimensão instrumental, articulando conhecimento tecnológico, pedagógico e científico. O modelo TPACK (Technological Pedagogical Content Knowledge), proposto por Mishra e Koehler (2006), reforça precisamente esta necessidade de integraç...

Estado da Arte da Avaliação Pedagógica: Entre a Inteligência Artificial e a Complexidade Educativa

  Estado da Arte da Avaliação Pedagógica: Entre a Inteligência Artificial e a Complexidade Educativa A realização da Atividade 1 da unidade curricular Avaliação em Contextos de eLearning constituiu uma oportunidade particularmente relevante para refletir criticamente sobre o estado atual da avaliação pedagógica em ambientes digitais, num momento em que a inteligência artificial (IA) começa a assumir um papel crescente nos processos de ensino e aprendizagem. Partindo da utilização de uma ferramenta de IA generativa como ponto de partida exploratório, tornou-se evidente que estas tecnologias são capazes de produzir respostas coerentes, estruturadas e alinhadas com tendências amplamente reconhecidas na literatura científica. A IA identifica, com relativa consistência, a transição de modelos tradicionais de avaliação, centrados na classificação, para abordagens mais formativas, contínuas e centradas no estudante. Destaca ainda o papel do feedback, da autorregulação, da avaliação por pa...

Habitar a Aprendizagem: Ecossistemas Digitais, Presencialidade e a Reinvenção da Educação

  Vivemos um tempo em que a educação deixou de estar confinada a um espaço físico, a um horário rígido ou a um modelo pedagógico linear. Hoje, aprender é habitar múltiplos territórios — físicos, digitais, híbridos — num movimento contínuo de interação, construção e reconstrução de conhecimento. É neste contexto que emerge o conceito de Ecossistema de Educação Digital , não como tendência passageira, mas como uma nova condição estrutural da educação contemporânea. Um ecossistema de educação digital pode ser entendido como um sistema vivo, dinâmico e interdependente, no qual diferentes elementos — humanos e não humanos — interagem na construção das experiências de aprendizagem. Este sistema integra professores, estudantes, instituições, famílias, plataformas digitais, algoritmos, conteúdos e dispositivos, articulados em rede e influenciando-se mutuamente. Tal como defendido por Luciano Floridi , já não utilizamos apenas a tecnologia: habitamo-la , inseridos numa infosfera que molda ...

Aceleração do Ciclo de Vida do Conhecimento

 Em complemento à minha intervenção anterior, gostaria de aprofundar a reflexão sobre a aceleração do ciclo de vida do conhecimento enquanto desafio educativo. Esta aceleração não se limita à rapidez com que a informação é produzida e difundida, mas traduz-se numa instabilidade crescente do próprio conhecimento, que se torna provisório, continuamente revisto e socialmente negociado. Tal cenário coloca tensões significativas aos modelos educativos formais, tradicionalmente organizados em torno de currículos estáveis e conteúdos consolidados. Considero que as práticas educacionais abertas analisadas não eliminam esta aceleração, nem devem ser entendidas como soluções neutras ou automáticas. Pelo contrário, elas tornam visível o carácter processual do conhecimento, ao permitir a sua atualização contínua, reutilização crítica e reconstrução colaborativa. Neste sentido, a educação aberta contribui para uma relação mais consciente e reflexiva com a aceleração do conhecimento, deslocand...

Partilha de Práticas Educacionais Abertas para o Bem Comum

  No contexto da sociedade em rede, marcada pela aceleração da produção e circulação do conhecimento, considero que a educação aberta se afirma simultaneamente como uma resposta pedagógica e como uma opção ética e política. A rápida obsolescência do saber científico, aliada à multiplicação de produtores de conhecimento e à persistência de desigualdades no acesso à informação, coloca em causa modelos educativos baseados na transmissão fechada e na apropriação exclusiva do conhecimento. É neste enquadramento que analiso três práticas educacionais abertas inovadoras que demonstram impacto documentado na disseminação do conhecimento e que se baseiam no uso e reutilização de Recursos Educacionais Abertos (REA), cumprindo os critérios dos 5R propostos por   David Wiley . A primeira prática selecionada é o  Wikipedia Education Program , desenvolvido pela Fundação Wikimedia em parceria com instituições de ensino a nível internacional. Esta iniciativa integra a edição de artigos d...