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Estado da Arte da Avaliação Pedagógica: Entre a Inteligência Artificial e a Complexidade Educativa

 


Estado da Arte da Avaliação Pedagógica: Entre a Inteligência Artificial e a Complexidade Educativa

A realização da Atividade 1 da unidade curricular Avaliação em Contextos de eLearning constituiu uma oportunidade particularmente relevante para refletir criticamente sobre o estado atual da avaliação pedagógica em ambientes digitais, num momento em que a inteligência artificial (IA) começa a assumir um papel crescente nos processos de ensino e aprendizagem.

Partindo da utilização de uma ferramenta de IA generativa como ponto de partida exploratório, tornou-se evidente que estas tecnologias são capazes de produzir respostas coerentes, estruturadas e alinhadas com tendências amplamente reconhecidas na literatura científica. A IA identifica, com relativa consistência, a transição de modelos tradicionais de avaliação, centrados na classificação, para abordagens mais formativas, contínuas e centradas no estudante. Destaca ainda o papel do feedback, da autorregulação, da avaliação por pares e das tarefas autênticas, bem como os desafios emergentes, como a integridade académica, as desigualdades digitais e o impacto da própria IA nos processos avaliativos.

Contudo, uma análise mais aprofundada revela que esta aparente coerência esconde uma limitação estrutural: a tendência da IA para simplificar a complexidade do campo educativo. A avaliação em eLearning não evolui de forma linear nem consensual. Pelo contrário, é atravessada por tensões persistentes, nomeadamente entre a sua função formativa e a sua função certificativa, que coexistem e, muitas vezes, entram em conflito nos contextos institucionais do ensino superior. Esta dimensão, amplamente discutida na literatura, surge apenas de forma superficial nas respostas da IA.

Para além disso, a IA tende a apresentar uma visão descritiva e agregadora, sem explicitar os quadros teóricos que sustentam as práticas avaliativas. A ausência de fundamentação conceptual limita a capacidade de problematização e reduz a profundidade da análise, evidenciando a necessidade de uma mediação crítica por parte do utilizador. Neste sentido, a IA não substitui o pensamento académico, mas antes exige uma maior literacia crítica por parte de quem a utiliza.

Um dos aspetos mais relevantes desta reflexão prende-se com o impacto da inteligência artificial no próprio desenho da avaliação. Não estamos apenas perante um problema de integridade académica, mas perante uma transformação mais profunda, que obriga a repensar o que significa avaliar. Torna-se necessário privilegiar tarefas que valorizem o processo, a argumentação, a reflexão e a construção situada do conhecimento — dimensões que dificilmente podem ser automatizadas.

Assim, a principal conclusão que retiro desta atividade é que a IA deve ser entendida como um ponto de partida e não como um ponto de chegada. A sua utilização pode apoiar a organização do pensamento e a identificação de tendências, mas exige sempre validação, aprofundamento e problematização com base em literatura científica e em reflexão pedagógica fundamentada.

Num contexto em que a educação digital continua a expandir-se, torna-se cada vez mais evidente que o verdadeiro desafio não é apenas tecnológico, mas profundamente pedagógico: repensar a avaliação como um processo significativo, crítico e orientado para a aprendizagem, sem perder de vista as exigências institucionais e os princípios éticos que sustentam o ensino superior.

Júlia Reis -100396

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